Satélite / Carla Kinzo

Satélite reúne poemas em que a autora concentra alguns dos temas principais de sua escrita: a observação minuciosa das coisas cotidianas, as tensões entre os espaços domésticos e os deslocamentos pela cidade, a passagem vagarosa do tempo, sentida no corpo, e o gesto autoral que procura na escrita pessoal dos cadernos, diários e cartas uma elaboração capaz de fazer frente à aspereza da realidade.

Com o projeto do livro a autora ganhou um ProAC de Criação Literária do Governo de São Paulo. O livro foi contemplado também pela 2a edição do Edital de Publicação da Cidade de São Paulo e recebeu menção honrosa no prêmio Nascente, da USP.

A metáfora central do livro associa o poema a um satélite, fragmento que flutua içado no nada, um “corpo moroso” insuflado por um “hálito furioso” de quem tenha soprado em seu interior. Essa imagem inicial que está no poema que abre o livro se desdobra e se multiplica, e em certa medida é contraposta pelo tom minimalista e discreto da elaboração poética da autora.

Como diz Noemi Jaffe na orelha do livro, destacando as analogias da poesia da autora, em Satélite “a expressão ‘no lugar de’ passa a ser literal e as palavras passam a ser geografias das coisas, mapas de acontecimentos, conquistando o desejo de todo poeta: que as palavras e as coisas voltem a se encontrar”.

Nesta escrita elegante e delicada, o poema é como a asa quebrada de uma xícara, suspensa do chão, sugestivo, leve e incompleto (“quebrar um verso quebrar uma xícara // suspender do chão uma palavra / ainda quente pela asa”), mas também pode conter material explosivo, discretamente colocado em seus alicerces (“as dinamites estão dispostas / em dois ou três andares do poema”).

Os poemas vêm fortemente marcados pela paisagem urbana e incorporam a solidão e o isolamento no tema da escrita íntima e da comunicação tradicional dos cadernos, cartas, diários e mapas. Mas o impulso poético talvez seja justamente o gesto de aproximação e de desafio a uma realidade dura, ao presente que a escrita pretende arranhar.

A tensão entre vida íntima e os espaços públicos, os objetos da casa e o corpo, a introspecção e os deslocamentos organiza essa poesia que se interessa pelo movimento, pelos pequenos acontecimentos e pelas fulgurações que podem ocorrer, mesmo que internamente, na sala de um apartamento, dentro de um ônibus.

Como diz a poeta e artista plástica Ana Estaregui, no posfácio do livro, à autora interessa “o movimento em si”: “Entre a delicadeza do movimento que se arquiteta sobre o nada e as imprevisibilidades surgidas em plena órbita, os poemas de Carla Kinzo caminham sobre essa linha tênue de iminência da queda”.

  • Satélite

    Carla Kinzo
    Gênero: poesia
    Capa e projeto gráfico: Sílvia Nastari
    ISBN: 978-85-93229-50-3
    Acabamento: brochura
    Capa com impressão em tipografia e miolo em offset
    Formato: 14x21
    104pp.
     

R$36.00Preço